Qual a visão de cultura repassada pelas diferentes mídias ao falarem do Rio de Janeiro?


No Brasil existe, em maior ou menor grau, sentimentos competitivos entre as populações dos estados e preconceitos a respeito da cultura de cada região. Chegando a ouvir afirmações absurdas sobre a preguiça do carioca ou o capitalismo do paulista. Assim como qualquer conceito que alguém queira definir, sempre haverá diferentes apresentações e representações do mesmo. Esta máxima não seria diferente ao definir uma cidade como o Rio de Janeiro.

Parafraseando um grande pensador como Vinicius de Moraes, eis como ele define o Rio: “ser carioca, mais que ter nascido no Rio, é ter aderido à cidade e só se sentir completamente em casa, em meio à sua adorável desorganização. Ser carioca é não gostar de levantar cedo, mesmo tendo obrigatoriamente de fazê-lo; é amar a noite acima de todas as coisas, porque a noite induz ao bate-papo ágil e descontínuo; é trabalhar com um ar de ócio, com um olho no ofício e outro no telefone, de onde sempre pode surgir um programa; é ter como único programa o não tê-lo; é estar mais feliz de caixa baixa do que alta; é dar mais importância ao amor que ao dinheiro.” Esta visão transformou-se num conceito predefinido do carioca e teve como grande responsável pela sua criação os meios de comunicação.

Tal visão cultural do carioca de desorganização, relaxamento cotidiano e tranqüilidade com a vida é a visão passada pela grande mídia. Porém temos visões que divergem em alguns pontos como a que Millôr Fernandes apresenta no livro “Que País é Este?”: “o carioca, envenenado pela poluição, neurotizado pelo tráfego, martirizado pela burocracia, esmagado pela economia, vai levando, defendido pela couraça verbal do seu humor.” Nesta visão o carioca luta com tudo que o agride e utiliza suas “armas” para seguir em frente no seu dia-a-dia.

Da década de 90 até os dias atuais os problemas da violência gerada pelo Narcotráfico criaram mais um estereótipo para o carioca: o violento, ladrão, desonesto. Outra visão que foi passada também pela grande mídia que para tom de audiência mostrava os acontecimentos ruins da cidade e esquecia a grande massa pacífica e descontraída.

Na verdade, tudo isto não passa mesmo de estereótipo, que, a meu ver, é o primeiro patamar de algo maior: o preconceito. E o preconceito se manifesta de várias maneiras e indistintamente contra todos os povos, raças e etnias.

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